Bora escrever. Bora ler. Bora acreditar. Bora pensar que vai dar certo. Bora desacelerar. Bora fazer o bem. Bora sonhar. Bora rir. Bora fazer o que te faz bem. Bora respeitar. Bora voltar. Bora amar. Bora cuidar. Bora fazer dar certo Bora, bora.
Eles sempre andavam juntos, mas eu nunca soube o nome deles. Um catador de papelão e seu cachorro. Sozinhos. Amigos. Lembro-me de cruzar o caminho deles sempre às seis da tarde, e como sempre estavam lá, andando solitários, fazendo companhia um para o outro, nas iluminadas ruas de Moema. Conhecidos no bairro, já não eram visitantes nas elegantes e arborizadas ruas do luxuoso bairro de Moema. O dia inteiro ele recolhe papelão. Percebo que suas jornadas são longas, porque próximo ao final do dia, sempre, sua caçamba está lotada. Isso porque existe uma concorrência entre os catadores de São Paulo para se conseguir material reciclado. O cachorro era seu segurança. Ele era o segurança do cachorro. Na verdade, acredito, eram a única família um do outro. Nos últimos dias não havia mais cruzado no caminho deles, até que em uma manhã de quarta-feira fiquei sabendo, por amigos, que o cachorro havia sido atropelado. Não resistiu aos ferimentos e morreu. A reação do seu dono era é mais profu...